Ílhavo

dezembro 13, 2013


Ílhavo é uma cidade cuja história se liga à pesca mas que no mundo da arquitetura a sua imagem se associa às premiadas obras do atelier ARX Portugal - o Museu Marítimo (MMI) e a sua recente ampliação, o Aquário dos Bacalhaus.


Ílhavo localiza-se na zona centro norte, no distrito de Aveiro, na margem direita da ria.

As primeiras referências a Ílhavo datam do séc. XI, obtendo o 1º foral em 1296, confirmado por D. Manuel em 1514. É elevada a cidade em 1990. A sua história está ligada ao mar, à pesca do bacalhau e à extração do sal.

No séc. XIX instala-se em Ílhavo a fábrica da Vista Alegre, uma das mais prestigiadas marcas de porcelana a nível mundial, e que se torna num propulsor económico da região. A implementação da fábrica origina o surgimento de um bairro operário, o primeiro bairro industrial português. O conjunto, que se baseia nos pressupostos urbanísticos dos finais do séc. XIX, inclui habitações e equipamentos como escola com creche, posto de saúde, cooperativa e espaços desportivos, entre outros. Está previsto um projeto turístico que inclui a recuperação do bairro, da Capela Nossa Senhora da Penha (conhecida como Capela da Vista Alegre) e a construção de um hotel 5 estrelas no Palácio da Vista Alegre.


Entre o património histórico destaca-se a Igreja Matriz de S. Salvador, construída no séc. XVIII.

Ílhavo integra a Rede Nacional de Municípios Arte Nova, um estilo estético das últimas décadas do séc. XIX que a nível arquitectónico se caracteriza pelo uso da decoração e ornamentação minuciosa dos portões, varandas e escadarias. Um património que deve ser valorizado e requalificado.

Hoje, após a crise da pesca, a atividade económica liga-se à industria e ao turismo, aproveitando a beleza natural das praias da região e o seu potencial para a prática de desportos náuticos, como o windsurf.

Nos últimos anos o município tem apostado na criação de equipamentos culturais. Em 2005 é construída a Biblioteca Municipal. Projetada por ARX Portugal, arquitectos ocupa o Solar Visconde de Almeida, datado do séc. XVII-XVIII, que é demolido e reconstruído. Do edifício original apenas permanece a fachada e a capela.



Em 2008 é construído o Centro Cultural, um arrojado edifício assinado pelo arq. Ilídio Ramos. Dispõe de uma sala de espetáculos, foyer e uma praça pública de uso pedonal.



Numa política de requalificação urbana, em 2009 é lançado o programa de Regeneração Urbana do Centro Histórico de Ílhavo (RUCHI). O programa integra a ampliação do Museu Marítimo de Ílhavo e a requalificação urbana e ambiental do centro histórico, entre outros.

Fundado em 1937, O Museu Marítimo de Ílhavo (MMI) é profundamente remodelado em 2002, sendo o projeto da autoria do atelier ARX Portugal, arquitectos. São construídos vários corpos autónomos organizados em torno de um pátio interno ajardinado. A obra foi selecionada para Prémio Mies Van der Rohe 2002 e para o XXI Encontro Internacional dos UIA em 2002.



Em 2013, no âmbito do Programa RUCHI, o museu é ampliado, construindo-se o Aquário dos Bacalhaus. Projetado igualmente pelo atelier ARX Portugal, o novo edifício conforma-se num corpo aéreo revestido a zinco grafite que assenta num volume branco de betão. (ler mais)

Ílhavo, cuja imagem se associa à pesca e à prestigiada porcelana Vista Alegre assume-se hoje como um ponto de turismo arquitectónico. As obras da dupla Nuno e José Mateus, do atelier ARX Portugal, constituem uma referência da arquitetura portuguesa contemporânea.

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