Lisboa Pombalina
junho 28, 2012
O urbanismo da 2ª metade do século XVIII é marcado pela reconstrução de Lisboa após o terramoto. O plano de reconstrução, de autoria de Eugénio dos Santos, tem um traçado regular com regras de composição bem definidas.
Capa: Plano de reconstrução de Lisboa após o Terramoto de 1755. Litografia do Museu de Lisboa.
Terramoto de 1755
A segunda metade do século XVIII é marcada pela reconstrução de Lisboa após o terramoto de 1755 que destruiu parte da capital. Como consequência do terramoto deflagrou, por toda a cidade, um violento incêndio que agravou os danos causados. A zona mais afetada foi a Baixa, que possuía uma elevada densidade populacional. Morreram assim cerca de dez mil pessoas nesta catástrofe. Ao terramoto seguiram-se assaltos e pilhagens que aumentaram o pânico dos habitantes.
Plano de reconstrução pombalino
O marquês de Pombal assume então o comando da reconstrução de Lisboa, encarregando Manuel da Maia, engenheiro-mor do reino, de elaborar um plano para a reconstrução da capital.
Manuel da Maia elabora então um relatório - Dissertação (1755-56) - onde apresenta cinco projetos de intervenção na cidade. Considera que a opção por um deles deveria ser feita com base na escolha do local de construção do palácio real. As propostas representam opções de projeto distintas. Vão desde a reconstrução de Lisboa com uma fisionomia próxima à que possuía antes do terramoto, passando por soluções de reconstrução assumindo novas regras de composição do espaço. Propõe igualmente uma atitude radical de construção de uma nova cidade junto a Belém. Segundo Manuel da Maia a reconstrução de Lisboa deveria ser feita num lugar livre, segundo um plano regular, com ruas largas e edifício uniformes.
A proposta escolhida segue as suas ideias, contudo a intervenção incidiria na área da Baixa. O plano de reconstrução é da autoria de Eugénio dos Santos, posteriormente continuado por Carlos Mardel.
Traçado
Trata-se de um projeto com um traçado regular onde existe uma hierarquia de vias. São definidas três ruas principais que articulam duas praças, Terreiro do Paço e Rossio.
As edificações obedecem a um desenho tipo de fachada adaptado à rua onde se localizam. Ou seja, há uma regra de proporcionalidade entre a altura dos edifícios e a largura das ruas. A organização do interior dos edifícios é deixada ao gosto dos proprietários. Há assim uma preocupação com o conjunto, a malha urbana, e não com o objeto arquitetónico, o edifício.
O desenho do Terreiro do Paço, da autoria de Carlos Mardel, denota um gosto barroco. É evidenciado pelo desenho da praça com arcarias regulares, onde existe um eixo de simetria definido pelo arco do triunfo e pela posição central da estátua de D. José I.
Por outro lado, o plano de reconstrução de Lisboa foi inovador porque introduziu um novo sistema de construção anti-sísmico: a chamada gaiola pombalina. Introduziu igualmente um sistema de saneamento de esgotos e de prevenção de risco de incêndios.
Por último, é importante salientar que a concretização deste projeto só foi possível graças à forma de ação do marquês de Pombal, que criou leis que definiam regras construtivas e dispositivos que controlavam a execução das obras de acordo com o projeto traçado.
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