Coimbra
maio 31, 2012
De amores, de milagres de rosas, de estudantes e da sua bela paisagem se faz a história de Coimbra, tantas vezes posta em verso ou cantada.
Localizada no centro do país e banhada pelo Mondego, Coimbra é dona de um vasto património arquitectónico que abrange vários séculos de história.
Embora o povoamento de Coimbra remonte à pré-história é no período romano que encontramos os primeiros vestígios de uma urbe então denominada aeminium. A civitas desenvolve-se no alto da colina, em torno do fórum construído sobre uma plataforma artificial assente num criptopórtico. Esta estrutura é visitável estando integrada no Museu Machado de Castro.

No século V o bispo de Conímbriga, importante cidade romana do concelho de Condeixa-a-Nova, fixa residência na cidade que passa a ter o nome de Coimbra. No século VI sofre a ocupação dos visigodos tornando-se na mais importante cidade moçárabe a sul do Douro.
Durante o século XI é construída uma muralha que envolve todo o morro e forma um anel com várias torres de vigia e portas, das quais quase nada resta. A Porta de Almedina é o principal acesso à cidade alta, sendo constituída pelo Arco e Torre de Vigia. No séc. XIII é construída uma segunda cortina de muralhas na vertente oeste (atual Rua Ferreira Borges), da qual apenas resta o Arco Pequeno da Almedina ou Porta da Barbacã.
Maquete dos principais edifícios e estrutura defensiva de Coimbra durante a Idade Média, em exposição na Torre da Almedina, 2015
A cidade é, nesta altura, um ponto estratégico em termos defensivos, sendo a sua defesa reforçada por uma rede de castelos que constituem a Linha Defensiva do Mondego. Dela fazem parte os castelos de Lousã, Miranda do Corvo, Pombal, Penela, Soure, Montemor-o-Velho, entre outras estruturas defensivas, como o Forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz.
A história de Coimbra está ligada à da nacionalidade. D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, concede-lhe Carta de Foral e torna-a na capital do novo reino.
A nível arquitetónico destaca-se a construção do Mosteiro de Santa Cruz, fora do perímetro muralhado, mandado erigir em 1131 e prolongando-se a sua construção por mais de um século com sucessivas remodelações. A fisionomia que atualmente lhe conhecemos remonta à primeira metade do século XVI. É na Igreja de Santa Cruz, integrada no antigo mosteiro, que se encontra o túmulo de D. Afonso Henriques. É ainda visitável o Jardim da Manga, a estrutura central de um dos três antigos claustros do mosteiro e atualmente um espaço aberto devido à demolição de parte do mosteiro. É uma obra renascentista da autoria de João de Ruão. A igreja de Santa Cruz localiza-se na Praça 8 de Maio tendo sido alvo de um projeto de reabilitação urbana, na década de 90, da autoria do arquiteto Fernando Távora. A praça foi convertida num espaço pedonal, em continuidade com a Rua Ferreira Borges e as estreitas ruas da Baixa, valorizando o enquadramento e acesso à Igreja. Neste espaço decorrem alguns eventos culturais.
Durante o século XII é também construída a Sé Velha, um dos mais importantes edifícios românicos do país, da autoria do mestre Roberto. A sua construção prolonga-se até ao século XIII, altura em que é construído o claustro. Ao longo do tempo sofre alterações, nomeadamente durante o período renascentista, no qual é criada a porta lateral chamada Porta Especiosa. A Sé Velha está ligada hoje às tradições académicas, sendo palco da Serenata Monumental, a cerimónia que marca o início da Queima das Fitas de Coimbra.

Durante os séculos XIII e XIV a cidade consolida-se. Define-se uma ocupação pela aristocracia e pelo clero no espaço intramuros, a "Alta", e uma população mercantil e artesanal no arrabalde, a "Baixa". Existem também alguns núcleos habitacionais ligados aos mosteiros e conventos, nomeadamente Celas e Santa Clara.
A Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa, é fundada em 1308. Passando temporariamente para Lisboa, instala-se definitivamente em Coimbra em 1537, sendo um importante marco histórico-cultural e um catalisador do seu desenvolvimento até à atualidade.

Inúmeras são as tradições da cidade associadas à Universidade e aos estudantes. A história de Coimbra e da Academia fundem-se na cultura e conhecimento científico, no "fado", na "capa e batina", na "Académica"... A Associação Académica de Coimbra, fundada em 1887, é a mais antiga associação de estudantes do país. A grande população estudantil também contribui para o sucesso da "noite" de Coimbra.
A partir do século XVI, impulsionada pela presença da Universidade, a fácies de Coimbra começa a mudar. É aberta a Rua da Sofia e instalados vários colégios universitários que adotam uma tipologia conventual, com claustro e igreja exterior, e que albergam os estudantes fornecendo-lhes uma formação base.
Apesar dos colégios sofrerem alterações ao longo do tempo, alguma descaracterizando-os por completo, ainda hoje se podem visitar as igrejas do Carmo e da Graça, antiga pertença dos colégios com o mesmo nome. Do edifício original do Colégio de São Tomás, atualmente Palácio da Justiça, pode visitar-se o claustro. Ainda visitável é o Colégio das Artes, posteriormente convertido para sede da Inquisição Coimbrã e recentemente reconvertido para Centro Artes Visuais - CAV, projeto do arquiteto João Mendes Ribeiro.
É ainda de realçar a construção da Sé Nova de Coimbra, iniciada no século XVI e concluída no século XVIII.
Passado o período conturbado da invasão francesa, no final do século XIX, Coimbra moderniza-se. São arranjadas as margens do Mondego e em 1890 é construída a estação de caminhos de ferro. A nível urbanístico rasga-se uma importante artéria, ao gosto dos boulevards europeus, a Av. Sá da Bandeira que culmina na Praça da Republica, onde em 1901 se jogava um novo desporto, o futebol.

Vista aérea da Cidade Universitária de Coimbra com colagem de desenho de Cottinelli Telmo. Exposição “Os anos 40 na arte portuguesa”, 1982. Foto de Mário Novais, 1982. Fonte: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
Recentemente, a Universidade, devido ao grande número de alunos, abandona parcialmente a Alta e algumas faculdades são deslocadas para dois novos pólos. No Polo II são ministrados alguns cursos da Faculdade de Ciências e Tecnologia, uma vasta área a sul da cidade, junto do rio, cujos novos edifícios universitários e residências de estudantes são projetados por arquitetos como: Gonçalo Byrne, Aires Mateus, Manuel Tainha e Fernando Távora, entre outros.
Edifício dos Serviços Centrais da FCTUC, Polo II UC, Aires Mateus
Junto ao Hospital (CHUC), em Celas, é criado o Polo III, cujos edifícios de arquitetura contemporânea albergam as faculdades da área de saúde, nomeadamente Medicina e Farmácia, para além de residência de estudantes e cantina.
Cantina, Polo III UC, LGLS, Arquitetos
Ponte pedonal Pedro e Inês, Cecil Belmond

Convento de São Francisco, João Luís Carrilho da Graça
Durante a 2ª metade do século XVI, os Jesuítas mudam os Colégios das Artes para a Alta e sucessivamente fundam novos colégios nesta zona. Com as extinção dos Jesuítas, em 1759, estes amplos edifícios passam a fazer parte da Universidade.
No final do século XVI destaca-se a reconstrução do Aqueduto de São Sebastião, conhecido como Arcos do Jardim. Reconstruído de raiz sobre as ruínas dos arcos romanos, possui 21 arcos e prolonga-se por 1Km, tendo sido construído para abastecer de água a Alta.
É ainda de realçar a construção da Sé Nova de Coimbra, iniciada no século XVI e concluída no século XVIII.
No início do século XVIII são empreendidas reformas na Universidade. É criada a Biblioteca Joanina, cujo interior alberga um vasto espólio de obra literárias datadas do século XII ao século XIX. É construída a Torre da Universidade que se torna na imagem icónica de Coimbra. Recentemente intervencionada para permitir o acesso ao público proporciona a quem sobe uma perspectiva única sobre a cidade.
No final do século XVIII, incluído nas reformas pombalinas da Universidade, é criado o Jardim Botânico, que ocupa uma área de 3 hectares com inúmeras espécies vegetais distribuídas pelo jardim, estufas e mata. Recentemente a Estufa Grande foi reabilitada com projeto de João Mendes Ribeiro.
Passado o período conturbado da invasão francesa, no final do século XIX, Coimbra moderniza-se. São arranjadas as margens do Mondego e em 1890 é construída a estação de caminhos de ferro. A nível urbanístico rasga-se uma importante artéria, ao gosto dos boulevards europeus, a Av. Sá da Bandeira que culmina na Praça da Republica, onde em 1901 se jogava um novo desporto, o futebol.
Em meados do século XX a Alta de Coimbra sofre, pela mão do Estado Novo, uma vasta demolição do edificado residêncial e de alguns edifícios notáveis, para dar lugar aos novos edifícios de um campus universitário. A população residente é realojada em novos bairros de moradias, nomeadamente em Celas e no Bairro Norton de Matos.

Vista aérea da Cidade Universitária de Coimbra com colagem de desenho de Cottinelli Telmo. Exposição “Os anos 40 na arte portuguesa”, 1982. Foto de Mário Novais, 1982. Fonte: Biblioteca de Arte da Fundação Calouste Gulbenkian.
Recentemente, a Universidade, devido ao grande número de alunos, abandona parcialmente a Alta e algumas faculdades são deslocadas para dois novos pólos. No Polo II são ministrados alguns cursos da Faculdade de Ciências e Tecnologia, uma vasta área a sul da cidade, junto do rio, cujos novos edifícios universitários e residências de estudantes são projetados por arquitetos como: Gonçalo Byrne, Aires Mateus, Manuel Tainha e Fernando Távora, entre outros.
Junto ao Hospital (CHUC), em Celas, é criado o Polo III, cujos edifícios de arquitetura contemporânea albergam as faculdades da área de saúde, nomeadamente Medicina e Farmácia, para além de residência de estudantes e cantina.
Cantina, Polo III UC, LGLS, Arquitetos
Esta descentralização leva a que Coimbra adote novas centralidades como Celas, Solum e Vale das Flores. Nestas localizam-se as principais escolas e infraestruturas como o Estádio Cidade de Coimbra.
No virar do milénio, no âmbito do programa Polis, dá-se a criação do Parque Verde do Mondego com equipamentos desportivos, de lazer, bares e espaço para a realização de espetáculos, enquadrados numa ampla área verde.
Ainda integrado no programa Polis, em 2006, constrói-se uma ponte pedonal, numa homenagem aos amores históricos de D. Pedro e D.ª Inês, projetada pelo arquiteto Cecil Belmond e pelo engenheiro António Adão Fonseca.
Ponte pedonal Pedro e Inês, Cecil Belmond
O Parque Verde do Mondego reforça a ligação da cidade ao rio e a aproximação das duas margens. O Mondego, que era um elemento de divisão, passa a ser um elo de ligação entre a margem esquerda e a direita de Coimbra.
Na verdade, as duas margens estão bastante próximas, até pela recente reabilitação de alguns monumentos na margem de Santa Clara, designadamente o Mosteiro de Santa Clara a Velha e o Convento de São Francisco, adaptado a sala de espetáculos com projeto de Carrilho da Graça.
Convento de São Francisco, João Luís Carrilho da Graça
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