Coimbra | história e património

Arquitetura Portuguesa


mapa coimbraLocalizada no centro do país e banhada pelo Mondego, o maior rio nacional, Coimbra é dona de um vasto património arquitetónico que abrange vários séculos de história.

Embora o povoamento de Coimbra remonte à pré-história é no período romano que encontramos os primeiros vestígios de uma urbe então denominada aeminium. A civitas desenvolve-se no alto da colina, em torno do fórum construído sobre uma plataforma artificial assente num criptopórtico. Esta bela estrutura é visitável estando integrada no Museu Machado de Castro.
Museu Machado de CastroMuseu Machado de Castro

No séc. VI sofre a ocupação dos visigodos tornando-se na mais importante cidade moçárabe a sul do Douro. Por esta altura o bispo de Conímbriga, importante cidade romana do concelho de Condeixa-a-Nova, fixa residência na cidade que passa a ter o nome de Coimbra.

Durante o séc. XI é construída uma muralha que envolve todo o morro e forma um anel com várias torres de vigia e portas, das quais quase nada resta. A Porta de Almedina é o principal acesso à cidade alta, sendo constituída pelo Arco e Torre de Vigia. No séc. XIII é construída uma segunda cortina de muralha na vertente oeste (atual Rua Ferreira Borges), da qual apenas resta o Arco Pequeno da Almedina ou porta da Barbacã.
A cidade é, nesta altura, um ponto estratégico em termos defensivos, sendo a sua defesa reforçada por uma rede de castelos que constituem a Linha Defensiva do Mondego. Dela fazem parte os castelos de Montemor-o-Velho, Penela, Soure, Pombal, Miranda do Corvo e Lousã, entre outras estruturas defensivas, como o Forte de Santa Catarina, na Figueira da Foz.

Arco da Almedina Coimbra               Porta da Barbacã 
                 Arco da Almedina                                                                                          Porta da Barbacã

Coimbra medievalNúcleo da cidade muralhada: A - Arco e Torre de Almedina, inserida na muralha do séc. XI   B - Porta da Barbacã, pertencente á muralha do séc. XIII   C - antigo castelo do qual só existem vestígios no subsolo da praça D. Dinis

A história de Coimbra está ligada à da nacionalidade. D. Afonso Henriques, primeiro Rei de Portugal, concede-lhe Carta de foral e torna-a na capital do novo reino, estatuto que mantém entre 1139 e 1260. Neste período são criadas infraestruturas, consolida-se o porto e as trocas mercantis.

A nível arquitetónico destaca-se a construção do Mosteiro de Santa Cruz, fora do perímetro muralhado, mandado erigir em 1131 e prolongando-se a sua construção por mais de um século e sofrendo sucessivas remodelações. A fisionomia que atualmente lhe conhecemos remonta à primeira metade do séc. XVI. É na Igreja de Santa Cruz, integrada no antigo mosteiro, que se encontra o túmulo de D. Afonso Henriques.
É ainda visitável o Jardim da Manga, a estrutura central de um dos três antigos claustros do mosteiro e atualmente um espaço aberto devido à demolição de parte do mosteiro. é uma obra renascentista da autoria de João de Ruão.
A igreja de Santa Cruz localiza-se na Praça 8 de Maio tendo sido alvo de um projeto de reabilitação urbana, na década de 90, da autoria do arquiteto Fernando Távora. A praça foi convertida num espaço pedonal, em continuidade com a Rua Ferreira Borges e as estreitas ruas da Baixa, valorizando o enquadramento e acesso à Igreja. Neste espaço decorrem alguns eventos culturais.

Igreja de Santa Cruz Coimbra  Jardim da Manga
                            Igreja de Santa Cruz                                                           Jardim da Manga

Durante o séc. XII é também construída a Sé (Velha), um dos mais importantes edifícios românicos do país, da autoria do mestre Roberto. A sua construção prolonga-se até ao séc. XIII, altura em que é construído o claustro. Ao longo do tempo sofre alterações, nomeadamente durante o período renascentista, no qual é criada a porta lateral chamada Porta Especiosa.
A Sé Velha está ligada hoje às tradições académicas, sendo palco da Serenata Monumental, a cerimónia que marca o início da Queima das Fitas de Coimbra, a grande festa dos estudantes universitários que se realiza no início de maio.

Sé Velha 
Sé Velha             Sé Velha 
Sé Velha de Coimbra. A fotografia em cima foi captada durante a Serenata Monumental da Queima das Fitas 2012.

Durante os séculos XIII e XIV a cidade consolida-se. Define-se uma ocupação pela aristocracia e pelo clero no espaço intramuros, a "Alta", e uma população mercantil e artesanal no arrabalde, a "Baixa". Existem também alguns núcleos habitacionais ligados aos mosteiros e conventos, nomeadamente Celas e Santa Clara.

Mosteiro de Santa-Clara-a-VelhaMosteiro de Santa-Clara-a-Velha

Mosteiro de Celas CoimbraMosteiro de Celas

A Universidade de Coimbra, uma das mais antigas da Europa, é fundada em 1308. Passando temporariamente para Lisboa, instala-se definitivamente em Coimbra em 1537, sendo um importante marco histórico-cultural e um catalisador do seu desenvolvimento até à atualidade.

Universidade de CoimbraUniversidade de Coimbra

Inúmeras são as tradições da cidade associadas à Universidade e aos estudantes. A história de Coimbra e da Academia fundem-se na cultura e conhecimento científico, no "fado", na "capa e batina", na "Académica"...
A Associação Académica de Coimbra, fundada em 1887, é a mais antiga associação de estudantes do país. A grande população estudantil também contribui para o sucesso da "noite" de Coimbra.

Queima das Fitas CoimbraCortejo da Queima das Fitas. desfile de carros alegóricos, enfeitados com flores de papel de cores diferentes de acordo com a respetiva Faculdade. A mesma cor é utilizada nas fitas das pastas que compõem o traje, nas cartolas e bengalas que usam os finalistas. Decorre no início de maio e parte da universidade acabando na Baixa. 

A partir do séc. XVI, impulsionada pela presença da Universidade, a fácies de Coimbra começa a mudar. É aberta a Rua da Sofia e instalados vários colégios universitários que adotam uma tipologia conventual, com claustro e igraja exterior, e que albergam os estudantes fornecendo-lhes uma formação base.

Rua da SofiaRua da Sofia, um marco urbanístico pelo seu traçado de generosa dimensão para a época. Imagem Bing Maps

CAVApesar de os colégios sofrerem alterações ao longo do tempo, alguma descaracterizando-os por completo, ainda hoje se podem visitar as igrejas do Carmo e da Graça, antiga pertença dos colégios com o mesmo nome.
Do edifício original do Colégio de São Tomás, atualmente Palácio da Justiça, pode visitar-se o claustro.
Ainda visitável é o Colégio das Artes, posteriormente convertido para sede da Inquisição Coimbrã e recentemente reconvertido para Centro Artes Visuais - CAV, projeto do arquiteto João Mendes Ribeiro.






CAV - Junto ao Pátio da Inquisição

Durante a 2ª metade do séc. XVI, os Jesuítas mudam os Colégios das Artes para a Alta e sucessivamente fundam novos colégios nesta zona. Com as extinção dos Jesuítas, em 1759, estes amplos edifícios passam a fazer parte da Universidade.

No final do séc. XVI destaca-se a reconstrução do Aqueduto de São Sebastião, conhecido como Arcos do Jardim. Reconstruído de raiz sobre as ruínas dos arcos romanos, possui 21 arcos e prolonga-se por 1Km, tendo sido construído para abastecer de água a Alta. 

Arcos do jardimArcos do Jardim

É ainda de realçar a construção da Sé Nova de Coimbra, iniciada no séc. XVI e concluída no séc. XVIII.

Sé NovaSé Nova

No início do séc. XVIII são empreendidas reformas na Universidade. É criada a Biblioteca Joanina, cujo interior alberga um vasto espólio de obra literárias datadas do séc. XII ao séc. XIX. É construída a Torre da universidade que se torna na imagem icónica de Coimbra. Recentemente intervencionada para permitir o acesso ao público, proporciona a quem sobe uma perspectiva única sobre a cidade.

No final do séc. XVIII, incluído nas reformas pombalinas da Universidade, é criado o Jardim Botânico, que ocupa uma área de 3 hectares com inúmeras espécies vegetais distribuídas pelo jardim, estufas e mata. 

Jardim Botânico CoimbraJardim Botânico, entrada junto da mata

Passado o período conturbado da invasão francesa no final do séc. XIX, Coimbra moderniza-se. São arranjadas as margens do Mondego e em 1890 é construída a estação de caminhos de ferro.
A nível urbanístico rasga-se uma importante artéria, ao gosto dos boulevards europeus, a Av. Sá da Bandeira que culmina na praça da Republica, que em 1901, jogam um novo desporto, o futebol.

Em meados do séc. XX a Alta de Coimbra sofre, pela mão do Estado Novo, uma vasta demolição do edificado resid~encial e de alguns edifícios notáveis, para dar lugar aos novos edifícios de um campus universitário. A população residente é realojada em novos bairros de moradias, nomeadamente em Celas e no Bairro Norton de Matos.

Recentemente, a Universidade, devido ao grande número de alunos, abandona parcialmente a Alta e algumas faculdades são deslocadas para dois novos pólos. No Polo II são ministrados alguns cursos da Faculdade de Ciências e Tecnologia, uma vasta área a sul da cidade, junto do rio, cujos novos edifícios universitários e residências de estudantes são projetados por arquitetos como Gonçalo Byrne e Aires Mateus, entre outros.

Polo II CoimbraPolo II, edifício da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Aliado ao prestigiado Hospital da Universidade de Coimbra (HUC), em Celas, é criado o Polo IIII, cujos edifícios de arquitetura contemporânea albergam as faculdades da área de Saúde, nomeadamente Medicina (ainda em construção) e Farmácia, para além de residência de estudantes e cantina.

Faculdade de Farmacia CoimbraPolo III, Faculdade de Farmácia

Esta descentralização leva a que Coimbra adote novas centralidades como celas, Solum e Vale das Flores. Nestas localizam-se as principais escolas e infraestruturas como o Estádio Cidade de Coimbra.

No virar do milénio, no âmbito do programa Polis, dá-se a criação do parque Verde do Mondego com equipamentos desportivos, de lazer, bares e espaço para a realização de espetáculos, enquadrados numa ampla área verde.

Parque VerdeParque Verde do Mondego, zona de bares, com a Alta ao fundo

Escola de Vela CoimbraEscola de Vela, margem esquerda do Parque Verde

Ainda integrado no programa Polis, em 2006, constrói-se uma ponte pedonal, numa homenagem aos amores históricos de D. Pedro e D.ª Inês, projetada pelo arquiteto Cecil Belmond e pelo engenheiro António Adão Fonseca.

Ponte Pedro e InêsPonte pedonal Pedro e Inês, Natal 2011

Com esta intervenção, a ligação ao rio e a aproximação ás duas margens sai reforçada, numa ligação física de identidade visual. O Mondego, que era um elemento de divisão, passa a ser um elo de ligação entre a margem esquerda e a direita de Coimbra. A cidade ganha o início de uma frente de rio que se pretende requalificar em breve.

Na verdade, a importância do Mondego e a possibilidade do seu atravessamento, permitindo uma ligação de norte para sul, vem de tempos remotos.
Se hoje o caudal do rio se encontra controlado pela ação da Barragem da Aguieira, antes o Mondego, sofria grandes oscilações sendo um fio de água de verão e de um enorme caudal de Inverno. Daí ser apelidado deo "Basófias", nome adotado por um barco de passeios turísticos pelo Mondego.
O rio era navegável entre a foz e o interior tendo existido vários cais e portos ao longo do seu curso. para o atravessar são construídas pontes sendo a primeira conhecida do reinado de D. Afonso Henriques.
CoimbraD. Manuel I manda construir uma nova ponte, concluída em 1513, em pedra e constituída por 24 arcos que permitem a passagem das barcas serranas. Esta entra em colapso devido ao assoreamento do rio, tendo sido substituída em 1873, por uma ponte metálica.
Em 1951, devido ao avançado estado de degradação e grande trepidação causados pelo aumento de tráfego, é projetada pelo engenheiro Edgar Cardoso a Ponte de Santa Clara, inaugurada em 1954, desesncandeando uma série de arranjos urbanísticos.
Em 1981 é inaugurada a Ponte Açude, no início do Choupal, criando um espelho de água que reflete a Alta da cidade constituindo a sua imagem postal. A sul da cidade, em 2004, é construída a Ponte Rainha Santa Isabel.

CoimbraCoimbra vista da margem esquerda

De amores, de milagres de rosas, de estudantes e da sua bela paisagem se faz a história de Coimbra, tantas veezes posta em verso ou cantada.



Veja também Coimbra | roteiro de arquitetura

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MAI 2012



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